Capítulo 27
Hilary
P.O.V
Estava me
arrumando pra ir pra escola quando Christian, o pai de Liah me ligou
desesperado. Ele estava gaguejando muito, parecia estar chorando. Espera.
Aquilo já havia me assustado. O Christian, que sempre foi alegre, brincalhão
com todos estava chorando?? Aquilo sim seria de extrema importância. Parei tudo
oque estava fazendo para ouvi-lo. Parecia que Liah e sua Mãe estavam no fundo
gritando uma com a outra.
- Hilary é
você querida? – ele gaguejava demais, muito, muito mesmo – Me ajuda Hilary, por
favor, não sei mais o que fazer com essas duas. Elas estão brigando já faz um
bom tempo. – ele não me deixava responder. – me ajuda Hilary, vem pra cá. Liah
precisa de você.
- CALMA
CHRISTIAN - gritei tentando acalmá-lo.
Estava desesperada assim como ele. O que deu na Liah pra brigar com sua mãe
assim do nada?? Elas sempre se deram muito bem, muito bem demais. – Calma –
repetia. – Estou indo prai agora, me espera e aguente firme.
- Tá – sua
voz era trêmula.
[...]
- PAI. PAI. PAI. Levanta. Rápido. Me leva lá
na Liah, ela está brigando com sua mãe.
Meu pai levou
um susto, mas acordou rapidamente e mesmo sem trocar de roupa, só com o roupão
preto dele, pegou as chaves do carro e me levou em 7 minutos pra casa dela. O
Christian estava eufórico, seus olhos inchados, acho que de tanto chorar ou
gritar.
- Cadê elas?
– ele apontou pra cima, nos quartos – vou lá!!
Subi as
escadas rapidamente. Entrei no quarto do Christian, elas não estavam ali.
Entrei no estúdio de dança, também não. Estavam no quarto de Hilary. A cama
dela estava arrumada. A porta do closet fechada. Estavam no banheiro.
O espelho
estava quebrado. Alguma coisa havia sido jogada nele, ou alguém deu um soco
nele. Isso a segunda opção estava mais precisa. A mão de Liah estava toda
cortada. Não só a mão, os pulsos e algumas partes de sua cintura. Todos seus
perfumes estavam quebrados no chão. Ela estava nua e chorando muito. Tirei um
pouco os cacos de vidro de perto dela. Me sentei e abracei-a. Ela deitou em meu
ombro e desabou em choro. Fechei a porta do banheiro com um dos pés e ficamos
ali por 2 horas aproximadamente.
Fui catando
os cacos devagar e colocando dentro da pia enquanto ela chorava e me contava o
que tinha acontecido. Fiz ela tomar outro banho, amenizando um pouco o
sangramento dos cortes. Sim, ela se cortou. Mas tudo começou quando ela deu um soco
no espelho e cortou sua mão, viu o sangue e quebrou o resto dos perfumes,
escorreu e caiu, cortando os pulsos e a cintura sem ter intenção alguma. Ela
não me contou porque quebrou o espelho, apenas disse que foi ela quem o
quebrou. Sua mãe se assustou foi ver o que havia acontecido e ver a filha
naquele estado em prantos não lhe fez bem. Sua mãe, muito religiosa começou a
gritar com “Deus”, olhando para cima. E Liah retrucava a mãe, dizendo que não
era culpa de ninguém, apenas dela.
“A única
culpada daqui sou eu. A culpa é toda minha. E agora eu estou pagando por isso.
Só eu posso pagar”. Ela disse á mim o que falava pra sua mãe, sem piscar os
olhos, olhando diretamente para o espelho quebrado. Tirei á do transe
enrolando-a numa toalha branca. Alguns dos cortes ainda estavam sangrando.
Tinha que fazer curativos logo, antes que a toalha branca ficasse vermelha como
a anterior. Peguei alguns gases e tapei os cortes. Ela precisava de um
psicólogo isso sim.
Tinha
esquecido meu celular em casa, a Liah jogou o dela na parede então não tinha
como eu avisar Peter nem Dustin do ocorrido. Meu pai já tinha ido trabalhar.
Minha mãe também. Os pais de Liah foram tomar um ar no centro da cidade.
Ficamos só eu ela. Coloquei uma roupa nela. Fiz ela dormir. Era hora de almoço
então liguei no serviço da minha mãe e pedi pra ela trazer meu IPhone. Ela
chegou em 15 minutos. Liguei pro Peter e expliquei o motivo de eu não ter ido á
aula hoje. Peter provavelmente disse a Dustin. Eles iriam vir pra cá.
- Liah, Peter
e Dustin estão vindo pra cá tudo bem??
- Tanto faz,
a culpa é minha mesmo.
Ela se
culpava toda hora não estava entendendo o porque. Eu queria saber o porque, e
eu vou descobrir, se não eu não me chamo Hilary Morris. Os garotos chegaram,
fui abrir a porta. Peter me deu um breve selinho.
- Por favor,
não se assustem com a casa. E ela está diferente, não fale nada que possa
perturbá-la ou irritá-la. Não á olhem de modo diferente. Não fiquem reparando
nos cortes. Ela ainda é a mesma.
- Ela está lá em cima? – Fiz que sim com a
cabeça. – Me deixem um pouco sozinho com ela, por favor. – disse apreensivo
Dustin
- Tudo bem.
Eu e Peter
ficamos olhando Dustin subir as escadas. Juro que vi ele limpando um pequena
lágrima.
Nenhum comentário:
Postar um comentário